sábado, 5 de fevereiro de 2011

Capítulo 4

            Cristina colocou a última panela sobre a mesa, tirou as tampas e chamou Camila. A menina estava em seu quarto, navegava na internet; ao ouvir a mãe chamar despediu-se de quem conversava e desceu rapidamente até a cozinha.
            – Quer almoçar, querida?
            – Sim, mãe. Tenho uma novidade para lhe contar.
            – Tem, é? – Interessou-se Cristina.
            – Sim – disse Camila enquanto se servia.
            Sentaram-se e Camila começou a contar à mãe.
            – Eu voltei a falar com a Marcela...
            – Voltou?
            – Sim, mãe. Não era bem do jeito que eu imanginava. Ela realmente não sabia... E tem outra coisa: estou tentando deixar de lado o Gabriel.
            – Que bom que está tudo se resolvendo, filha. Fico feliz.
            – E eu conheci outro garoto, o Rafael. Ele é muito lindo, ele é tudo de bom, mãe.       – Você é bem ligeirinha, Camila! – Zombou Cristina.
            – Mas você vai ver mãe... Um dia eu te mostro, ele é muito lindo, faz você esquecer qualquer menino! – Disse Camila enquanto fazia gestos com a mão – Parece um anjo – completou.
            – Imagino – disse Cristina. – Só não quero que se machuque, filha, preste muita atenção nas suas escolhas – completou depois de uma pequena pausa.
            – Pode deixar, mãe, eu vou tomar cuidado.

***

            Depois do almoço Camila combinou com Marcela de se encontrarem em uma praça que havia perto de sua casa. No centro da pequena praça havia um chafariz desativado cercado de bancos. Algumas árvores davam um tom de bosque à paisagem urbana. Logo adiante algumas crianças faziam algazarra em um monte de areia.
            Marcela já estava sentada no banco quando Camila chegara, de calça jeans, blusa branca e tênis; Marcela sugava, por um canudinho, refrigerante de uma latinha. Camila sentou ao lado da amiga e com um abraço e um beijo se cumprimentaram.
            – Marcela, eu nem sei o que dizer... Ainda estou me sentindo péssima.
            – Cami, quer parar de ser boba? Eu é que deveria estar mal, mas não... Eu sei que eu errei, mas não foi de propósito.
            – Vamos esquecer esse assunto? Que tal?
            – Tem razão! Sabia que eu te adoro?
            – Que bom. Eu também te adoro, e que queria te contar uma coisa.
            – E o que é? – Perguntou Marcela.
            – Eu acho que estou gostando de outra pessoa. Não sei o que houve, mas já não sinto quase nenhuma atração pelo Gabriel.
            – Você é maluca, hem? Você quase me matou por ter feito aquilo, agora me diz que não sente mais atração por ele?
            – Eu sei, eu sei. É estranho, mas eu não sei o que houve. Simplesmente ele apareceu, nos tornamos amigos e agora eu penso nele o tempo todo, eu queria saber se ele sente o mesmo.
            – E quem é o garoto?
            – Rafael. Ele é novo no colégio, e eu o conheci na sua festa de sábado.
            – Mas eu não convidei nenhum Rafael para a festa!
            – Então não sei... só sei que eu o conheci lá.
            – Esses intrometidos! – Esbravejou Marcela.
            – Porém, dona Marcela, ele é lindo, muito lindo. Você tem que ver! E foi ele que fez com que eu fosse conversar com você hoje.
            – E porque ele faria isso?
            – Eu não sei. O que eu sei é que ele é muito lindo e que ele deve ser meu!
            – Xi! Essa eu já vi – disse Marcela enquanto abaixava a mão de Camila que gesticulava loucamente.
            Fernanda logo se juntou ao grupo, quando passava pela praça.
            – Vamos a minha casa? Minha mãe faz um lanchinho pra gente e nós ficamos no computador – convidou Fernanda.

***

            Uma cachoeira belíssima deixava a paisagem incrível. Um córregozinho que descendia da queda corria se embrenhando mata adentro. Em uma pedra grande que permanecia a milhares de anos ao lado do córrego estava Rafael sentado. Refletia sobre o que ouviu da boca de Lúcio. Seria possível o que ele disse?
Estaria mesmo se apaixonando por uma mera mortal? Uma coisa era certa, não conseguia se esquecer por um minuto de Camila. Mas como isso aconteceu? Não era permitido, de modo algum, e se algum anjo descobrisse seria logo levado diante da presença de Deus, que o condenaria à sua ira.
Camila aquela mocinha humana, linda. Possuia o cabelo louro assim como era o ouro que enfeitava as ruas do céu. Seus olhos castanhos era como o mél, que escorria de carnudos favos das abelhas africanas. Sua pele como veludo claro. Não era possível que desejava uma humana.
“Os humanos são incríveis, seres complexos, e assim como os divinos possuem também símbolos para suas verdadeiras amizades!”, pensava Rafael. Um leve vento fez suas vestes balançarem assim como seus cabelos. De uma sombra escura fruto de uma gigante árvore centenária surgiu Lúcio.
– Olá, meu amigo – cumprimentou o anjo mal.
– Lúcio. O que desejas? Já não basta o mal que estás me causando?
– Não seja tolo, anjo. Que mal tem em amar?
– Mal nenhum quando se trata de humanos. Eu não sou humano, sou um anjo, mensageiro de Deus. Não deveria.
– Mas aconteceu, não é mesmo? Ninguém pode explicar, mas conteceu... Ainda irá matá-la?
– Sim. Recolherei sua alma no sétimo dia de minha observação! Não falharei.
“Agora faz sentido as palavras de Deus quando me disse para não deixar que me cubrissem os olhos!”, pensou Rafael, “Lúcio está tentando me impedir de cumprir meu dever.”.
– Vai matar quem ama? Que cruel.
– Você é cruel. Esse é meu dever, devo cumpri-lo.
Lúcio riu:
– Faça como quiser, mas pense bem. É muito provável que ela te ame também!
Depois entraram em outros assuntos, superiores ao conhecimento humano, que não valeria de nada retratar aqui.

***

Estavam no quarto de Fernanda. Em um home theater conectado na televisão tocava um DVD de uma banda do momento. Marcela estava deitada na cama de Fernanda, enquanto esta navegava na internet. Camila ajudava a mãe de Fernanda a fazer um suco, fritavam pastéizinhos.
– Alguém vai querer? – Perguntou Camila passando uma bacia de pastéis perto do rosto das amigas.
Logo a mãe de Fernanda apareceu carregando uma jarra de limonada.

Um comentário:

  1. Nossa comecei a ler agora a história e já estou amando demais.Parabéns!
    http://sweetdreamssah.blogspot.com.br/
    Segue?.

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